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Meus poemas

Beijo Absoluto - Vera Silva -

Suspiro-te num beijo quente
Que me envolve a alma
E me entontece e inquieta
Em verbos apetecidos
Sugados nos teus lábios
Que profano imprudente.

Quero-te na alucinação
Que m' embala e m' estremece,
Num rasgar da alma muda
Que desabotoas devagar
E me descobres
Sentada na penumbra
Do teu ser.

Confio-me a ti e rendo-me
Já inconsciente pelo anseio
Deste desejo que me toma
Pelo teu beijo supremo.



Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=66312

Conforto - Vera Silva -

É ao aconchego do teu corpo
Que me enrosco e me uno
Na taciturnidade da noite
Onde me entrego à insónia
Para te ver, tranquilo,
Caminhando no sonho
E no sono profundo.

Espero a carícia
Que virá em gestos seguros
E dissimulados
No teu despertar.

Preencho o espaço vazio
Observando-te, qual voyeur,
Entre o brilho da lua,
Que espreita também sorrateira,
E a lembrança dos teus lábios
Nos meus proíbem-me o sono
E alimentam-me a espera
Pelo teu acordar.

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=66060

Poema Despido - Vera Silva -

Dominas-me voraz
Sem que entenda o sentido
Dos versos que trazes
Na boca que beija
Em carícias longas
O brilho do sol.

Sou apêndice sôfrego
De um poema.

Pacifico-me na tua voz
Que embala o desejo
De ser letra do teu corpo,
E rasgo a folha imerecida
Que te sustém,
Com a fúria decomposta
Da improbabilidade
De te possuir.

Contempla-me
Na prateleira exposta
No extremo do segmento.

Sou matéria invisível
Dos teus propósitos.

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=65194

Naquela noite - Vera Silva -

Soube-me a pouco a noite em que chegaste com esse sorriso quente e olhar sôfrego de mim.
Ao som de Schneider bebemos vinho e dançámos, mudos, amadurecendo apenas os nossos pensamentos e, naquele roçar suave de corpos, o desejo amplificou-se e agravou-se, incontido, gritante…
Sem qualquer palavra, numa lentidão prevista, teus lábios tocaram-me a pele, que se despiu devagar, saboreando a fome da tua sede, e a maciez das tuas mãos, que me envolviam os seios generosos que te oferecia, enquanto teu corpo se mostrava mais firme, mais poderoso, mais meu…
Percorri cada poro do teu corpo, ávida dos teus gemidos que gritavam meu nome. Sedenta de prazer, numa entrega absoluta, tranquei tabus e pecados num armário inalcançável, e fui inteiramente tua, numa volúpia animalesca em que saciámos todos os desejos incontidos, escondidos, insanos…
Há uma quase dor que me acompanha nesta febre a que me dou voluntariamente, num ardor travesso e rítmico, abrasador e vulcânico, até ao clímax da tua ejaculação e das minhas compressões húmidas em que quase te arranho.
Acordei quase feliz, com o toque lânguido dos meus dedos presunçosos…
Soube-me a pouco o sonho naquela noite. Espero agora o teu poema real…

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=64548

Deixei de acreditar - Vera Silva -

É no azul dos meus olhos que me afundo e me perco, cuspindo palavras amargas e azedas.
Não mais me ouvirás palavras de amor ou carinho, pois há muito deixei de acreditar. As ondas que me embalam são traiçoeiras e pérfidas e o teu sorriso já nada me diz.
Os rios seguem o seu curso natural e a vegetação cresce e tapa-me a alma, que jamais exporei tão abertamente. A escuridão ofusca-me e é nas costas da lua que me deito, isolada de um mundo em que já não vejo luz.
Sou assim, calada e quieta, e profundamente negra. Não entres no meu mundo porque quero estar sozinha e muda. Tenho a porta fechada a cadeado e as janelas com tijolos embutidos, cães soltos em redor, cavalgando e rangendo os dentes a qualquer sílaba intoxicada.
O veneno está preparado e aguarda-me sorridente.


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=64456

Ruínas - Vera Silva -

Recorto esta longitude
E deito-me nos alicerces
Calcificados pela espera
Que o tempo crucifica
(e mortifica-me)
Pela dor da tua ausência
E desdém do teu olhar.

Escondo-me do mundo
E respiro no sonho
Onde me abarcas
E monopolizas os gestos
Que imagino teus.

Sobrevivo arruinada
Num mundo paralelo,
E quem me vê
Não me conhece.

(Não passo de uma mentira
Que inventei
Apenas para estar viva)


E a verdade reconcilia-me
Com a ruína…



Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=64330

Inteiramente tua - Vera Silva -

Encontrei o meu caminho
Na linha que traçaste
No meu destino…

Devagar, bem de mansinho,
Chegaste assim,
Com um sorriso
Que iluminou meu céu.

Os sentimentos que me invadem
Intensificam o universo
Que nos preenche
E nos pertence,
Penetrantes e delicados,
Suavemente desabrocham
E complementam-se.

Simplesmente por amar-te
Vale a pena viver
E ser,
Nesta simplicidade,
Inteiramente tua.

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=64174

Súplica - Vera Silva -

Resguardo-me no silêncio fusco da noite
Oculta entre palavras indizíveis
E quedo-me na extensão
Dos sentimentos condoídos
Que me abarcam…

Cerrei a passagem ao meu peito
E aos meus actos
Numa atitude de percepção
Da crueldade alheia
E fico-me nestas razões
Protectoras da sensibilidade
Que me pertence secretamente.

Não mais ouvirás teu nome
Gritado pela minha alma
(já selada por feitiço).

Deixo-te entregue à luminosidade
Do tempo que te seduz
E reclino-me no desprezo
A que me votaste amargamente.

Não me peças sorrisos…
Dispensar-te-ia apenas os pérfidos
(e morreria por dentro).

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63719

Voluptuosidade - Vera Silva -

Invades-me a alma
Num beijo molhado
Que me aquece o corpo
E me leva à entrega absoluta.

Já não sei quem sou…

Perco-me nas partículas
Que te cobrem, envolvem,
E abarco-te com volúpia
No íntimo de mim.

Já não sei onde estou…

Em ondas uníssonas e ritmadas,
Entre gritos e gemidos,
Salivamos torrentes de amor
Que se quedam eternas.

Já não sei de mim…

O colapso final surge
Entre ejaculações e contracções
E palavras de amor
No declínio da tensão.

Já não somos dois…

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=63070

Vestida de morte - Vera Silva -

Visto a negra capa da morte
E preparo o túmulo
Onde depositarás rosas
Vermelhas,
Como os lábios
Que nunca quiseste beijar.

Pertenço-te,
Sem que me queiras,
Como doença maldita
Que desprezas
E afastas,
E mesmo assim
Me sinto apenas tua,
Enferma que sou.

Abro as mãos
A novos amores
E esgueiro-me pela porta
Antes do toque inicial,
Como se te traísse,
Como se também tu fosses meu.

Visto a capa negra da morte
E preparo o túmulo
Onde me deito,
Porque já nada mais me importa…

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=62837

Últimas Photum

Meus Links no:

Anedotas

No gabinete do ministro:
- Marca uma reunião com os ministros para sexta-feira - diz o ministro.
- Sexta-feira é com "s" ou com "x"? - pergunta a secretária.
O ministro após pensar um pouco responde:
- Marca para quinta.

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