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PRA SEMPRE EM MIM ACESO - FredericoSalvo -

Adormeci vontade;
Longe sonhei contigo.
Eu fiz de ti abrigo
E acordei saudade.

Restos da minha vida,
Cãs da felicidade;
Rastos, fugacidade,
Marcas da despedida.

Leito de frias mantas,
Peito de dores tantas,
Fardo de bruto peso.

Quero fugir não posso,
Deste prazer tão nosso;
P'ra sempre em mim aceso.


Frederico Salvo
http://pistasdemimmesmo.blogspot.com/


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=66364

Um dia... Um adeus... - tanatus -

Nem percebemos quando terminou. Só soubemos que acabou quando deixamos de fazer as mesmas coisas juntas, de pensar um no outro, enfim, de nos procurar. As horas começaram, então, a passar mais lentas, sem a pressa de antes. Não como antes! Não! Antes elas voavam ligeiras, iam céleres por segundos no nosso mundo! Perdiam-se no afagar dos carinhos, nos beijos trocados as escondidas ou à luz clara do dia, na frente dos amigos ou inimigos. Nada importava naqueles sôfregos momentos! Quando nos dávamos conta, o tempo já tinha passado, e aí, pedíamos mais, e chegávamos até a implorar. Queríamos sempre mais, e mais e mais ainda! Não nos cansávamos, só queríamos mais uns minutinhos, era tudo o que a gente pedia, não obstante, tínhamos que nos contentar com o que fora dado, para, no dia seguinte, recebermos mais do mesmo.
Entretanto, o tempo foi passando, e a gente foi ficando...
Muitos não conseguiram alcançar a tão desejada felicidade, desistiram de lutar, morreram, ou ficaram pelo meio do caminho, jogados pelos cantos da vida, outros, conseguiram seguir adiante, mas arrefeceram com o tempo. Só uns poucos, bem poucos mesmo – separados é bem verdade -, conseguiram se eternizar e amadurecer na compreensão e na liberdade de cada um.
Outros passaram à frente de relance, num atônito olhar. Deixaram suas marcas indeléveis gravadas nos nossos mais secretos desejos. Deixaram as coisas ardendo dentro do peito, lá dentro da alma! Não era preciso a gente tocar. Deixávamos apenas a imaginação voar, e pronto, estávamos felizes. Numa festa, no shopping, no trabalho, sempre percebíamos aquele olhar esgazeado. Era fulminante na sua compreensão e agrado. Muitas vezes, desviávamos sem nos dar chance de arriscar, noutras, fixávamos os olhos e nos deixávamos levar em devaneios numa admiração e paixão.
Naquela época, os abraços estavam sempre prontos para nos acalentar quando sentíamos medo. Foram muitas as decepções que nos cercou a existência. Mas também tivemos bons momentos juntos, quando a gente ria pelo simples prazer de estarmos juntos um ao outro. As pessoas que nos olhavam, não entediam a causa da nossa alegria, porém, sabíamos o motivo. É que vivíamos com sorrisos abertos em palavras de carinhos e o que era mais importante nisso tudo, é que essas palavras estavam presas à fidelidade da convivência, de um ouvir calado e de um falar sensato.
Mas isso foi há muito tempo, não foi? Desde então, as coisas mudaram. Os sonhos não se realizaram. O amor terminou. E aí, a gente cresceu, depois casou, descasou e casou novamente, e seguiu em frente - bem o mal -, com aquele ar cansado e melancólico pairando sobre nossas mais solitárias noites.

(tanatus – 30/11/08)







Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=66363

**DESPIDA DE MIM** - Vania Staggemeier -

**DESPIDA DE MIM**
Vania staggemeier

Toma-me ó noite...
Nos braços amantes...
Chama-me de meu bem...
E eu serei tua...

Despida de mim...
Voluntariamente abandono...
Meu mundo terreno...
E viajo contigo...
Em sonhos distantes...

Despida de mim...
Eu serei tua amante...
E regressarei calma um dia...
Como a paisagem da madrugada...
A morrer no dia...

Despida de mim...
Vestida de versos...
Serei tua poesia...
Em noites de nostalgia...

E agora perdida entre as paginas...
De um livro pelo tempo empoeirado...
Em palavras que ecoam...

Despida de mim...
Tenho fome...
E meu remédio...
Chama-se poesia agora...

(*_*)






Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=66362

A Puta - Nuno Grande -

A puta sobe a rua escura
Salto agulha e micro saia,
Procura cliente que lhe dê
Algum dinheiro e muita malha.
Tem preçário á là carte
Que é puta mas tem classe
E um chulo a deitar o olho
Para que ela o não roubasse.
E a puta assim anda
Toda feliz e muito airosa
Já nem se lembra de quando lhe
Desfloraram o botão de rosa.
É puta mas não recriminem
Que mais vergonha é roubar
Esta apenas cobra uns trocos
A quem demais a enrrabar.

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=66361

O Zé - Nuno Grande -

O Zé é um individuo chato e burro
Inculto até dizer chega,
Mas ainda assim é orgulhoso.
Orgulhoso do que os seus avós fizeram
Que mais não foi que descobrir um filão de ouro.
dois na verdade: um de raios de sol cristalizados,
e condimentos reservados aos deuses;
outro de ouro negro, daquele que tem dois braços e duas pernas,
pelo menos a quando da extracção.
E é disto que p Zé se orgulha.
Destes filões dos seus avós sobra... a memória.
Graças ao divino/a (comédia) que já lhos tirou.
mas o peito do Zé é um balão cheio, tão cheio...
Mas não há ninguém que lhe dê uma alfinetada?
Enfim, divagações, voltemos ao Zé.
O Zé é megalómano e desmedido
Prefere andar esfarrapado e esfomeado
Para ter um bom carro e um com mecanismo portátil de conversação à distância
e ainda não viu que é isso que faz rir o seu vizinho.
Mas o Zé é que sabe... Palavra do Zé é suspiro do divino/a (comédia)
Ai Zé! Onde é que vais tu parar?
Á sarjeta?
Não! Isso seria demasiada ironia...
Ir agora um homem parar onde sempre viveu
Ir parar á sarjeta quando foi dela que (nunca) saiu
É castigo demasiado severo.
deixemos o Zé com o seu inabalável orgulho.
nós que sabemos a verdade, faremoscomo os demais
rir, simplesmente.

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=66360

Uno - Nuno Grande -

Na multidão me encontro uno
A multidão abafa meu grito
Na multidão, abismo profundo
Uno estou e nisso acredito.

As personagens deste romance
Romanceiam impossibilidades
Para além do que a vista alcança,
Mais que tudo realidades.

Nem de dia nem de noite
Não há mais forma de fugir
Falta de vontade, falta de sorte
Até o fim, por fim, se concluir.


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=66359

PALAVRAS DE COR SÉPIA - MartaVasil -

Ordeno-te vento

que rujas em palavras de cor sépia.

Ordeno-te mar que te revolvas

e afundes as palavras

apeadas de falsos cruzeiros.

Ordeno-te ferrão de vespa

que sigas em voo rápido

e ferres com teu veneno

as palavras assinaladas.

Ordeno-te fogueira em crepitação

que alteies o vigor da tua chama

e queimes a lenha podre

das palavras que te ateiam.

Ordeno-te tesoura de lâmina afiada

que cortes com fúria

sílaba a sílaba,

todas as palavras.


Na vaga mais alta que o mar pariu

instala-se um cemitério de palavras de cor sépia.


Marta Vasil

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=66358

A LOBA - linameirelles -

Na floresta mais negra
e funda ela se esconde,
selvagem e indomável
fera.

Vive em solidão severa.
Pés no chão, mãos e unhas sujas
do barro de que é feita a sua
tapera.

Na casa pequena,
mais antiga que o tempo,
jovem quando velha, ela é o que é,
donzela-megera.

Arguta, olha e escuta,
cheira, prova e tateia.
Aquela que sabe, à luz da lua cheia,
pondera.

Desenterra e recupera
ossos desencarnados,
perdidos, cobertos de
hera.

Guardiã da história ancestral
e da alma
que venera, está à tua
espera

para atravessar a janela da quimera
e replantar
os bulbos da eterna
primavera.

Lina Meirelles
Rio, 07.01.09


Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=66357

<<<<< Amargo e doce >>>>> - Donjotta -

<<<<< Amargo e doce >>>>>


A saudade um segredo esconde
Tem a dose,e o seu peso certo
Ela é amarga,se estamos longe
Um doce,se estamos por perto.



Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=62671

«Noite branca...à beira mar» - AntóniodosSantos -

Janela de par em par...
Deixo entrar a noite fria,
E a brisa em seu sussurrar,
Traz sopro da maresia.

Na superfície do mar,
Como quadro de magia,
Reflete a Lua, a brilhar,
Seus raios de fantasia.

Noite bela...Noite calma...
Teu manto de mil estrelas,
Enternece a minha alma...

Teu luar de luz tão franca,
Como que a querer envolve-las...
Cenário de Noite branca...

Fonte: http://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=66356

Últimas Photum

Meus Links no:

Anedotas

- Sabem que a Madonna foi para o hospital? Caiu da Cabala abaixo... ;)

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